O fecho da unidade fabril, anunciada quarta-feira no âmbito de um processo de reestruturação interna iniciado em 2006, implicará o despedimento ou deslocação para a unidade de Santarém dos 62 funcionários que ali trabalham.
"Os trabalhadores não aceitam o fecho da unidade, para mais quando não há qualquer fundamentação económica para isso", disse à Lusa o coordenador da CGTP-Intersindical, António Goulart, que participou na reunião de plenário realizada esta quinta-feira.
No plenário, que decorreu à porta fechada, os trabalhadores contestaram os argumentos da empresa, já que "no ano passado a Unicer teve um aumento de 70 a 100 por cento nos lucros totais", segundo o mesmo dirigente sindical.
Além de vigílias em Faro e Loulé em datas a marcar, foi decidido encetar contactos com agentes locais, nomeadamente as autarquias, partidos, sindicatos e associações.
Os trabalhadores decidiram ainda fazer-se representar na manifestação nacional marcada pela CGTP para 18 de Outubro, em Lisboa.
No plenário participou ainda o presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio, que contestou o fecho, bem com um porta-voz da empresa, João Jacques de Sousa, que defendeu os argumentos da empresa.
Em declarações à Lusa, João Jacques de Sousa adiantou que as partes em conflito deverão reunir-se na delegação do Porto (onde a empresa tem a sua sede) do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social para dirimir a questão.
Considerou que o plenário de hoje se saldou por "um fracasso", porque os sindicalistas idos de fora da empresa "não perceberam o espírito que reina na Unicer", não conseguindo fazer aceitar tomadas de posição mais radicais.
Observou que o encerramento da unidade fabril se insere numa estratégia da empresa baseada na maximização de recursos.
"Quem diz que não há fundamentação do ponto de vista da economia da empresa é porque não conhece a Unicer", argumentou, sublinhando que "grande parte do Algarve já é abastecido a partir de Santarém", o que "é facilitado pela rede de auto-estradas existentes hoje em dia".
Sobre a situação dos trabalhadores, assegurou que, na melhor das hipóteses, apenas 18 dos 62 trabalhadores ficarão na prática sem trabalho.
Segundo o porta-voz, 28 trabalhadores "poderão entrar imediatamente na reforma ou fazê-lo após o período de recebimento do subsídio de desemprego", a que se juntam cerca de 20 que foram convidados a integrar a unidade de Santarém.
Adiantou que dois desses trabalhadores já aceitaram a deslocação, ainda antes do fim do prazo de uma semana concedido para tal, e que a empresa espera que outros o façam em breve.
Esclareceu que os trabalhadores que não aceitarem ir para Santarém e os que serão dispensados têm à sua disposição uma empresa especializada, contratada pela Unicer, que os ajudará a procurar trabalho ou a darem novo rumo às suas vidas.
Segundo a empresa, os valores das indemnizações a conceder, na maioria dos casos, rondam os 50 mil euros, havendo um caso de 100 mil euros, que correspondem a 1,4 meses de salário por cada ano de trabalho efectivo.