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Home > Actualidade > Unicer: Trabalhadores decidem realizar vigílias
  Unicer: Trabalhadores decidem realizar vigílias
04-10-2007 18:59:00

Os trabalhadores do centro de produção da Unicer em Loulé decidiram continuar a lutar pelos postos de trabalho, efectuar vigílias e iniciar conversações com entidades locais para evitar o fecho da fábrica.
 
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O fecho da unidade fabril, anunciada quarta-feira no âmbito de um processo de reestruturação interna iniciado em 2006, implicará o despedimento ou deslocação para a unidade de Santarém dos 62 funcionários que ali trabalham.

"Os trabalhadores não aceitam o fecho da unidade, para mais quando não há qualquer fundamentação económica para isso", disse à Lusa o coordenador da CGTP-Intersindical, António Goulart, que participou na reunião de plenário realizada esta quinta-feira.

No plenário, que decorreu à porta fechada, os trabalhadores contestaram os argumentos da empresa, já que "no ano passado a Unicer teve um aumento de 70 a 100 por cento nos lucros totais", segundo o mesmo dirigente sindical.

Além de vigílias em Faro e Loulé em datas a marcar, foi decidido encetar contactos com agentes locais, nomeadamente as autarquias, partidos, sindicatos e associações.

Os trabalhadores decidiram ainda fazer-se representar na manifestação nacional marcada pela CGTP para 18 de Outubro, em Lisboa.

No plenário participou ainda o presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio, que contestou o fecho, bem com um porta-voz da empresa, João Jacques de Sousa, que defendeu os argumentos da empresa.

Em declarações à Lusa, João Jacques de Sousa adiantou que as partes em conflito deverão reunir-se na delegação do Porto (onde a empresa tem a sua sede) do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social para dirimir a questão.

Considerou que o plenário de hoje se saldou por "um fracasso", porque os sindicalistas idos de fora da empresa "não perceberam o espírito que reina na Unicer", não conseguindo fazer aceitar tomadas de posição mais radicais.

Observou que o encerramento da unidade fabril se insere numa estratégia da empresa baseada na maximização de recursos.

"Quem diz que não há fundamentação do ponto de vista da economia da empresa é porque não conhece a Unicer", argumentou, sublinhando que "grande parte do Algarve já é abastecido a partir de Santarém", o que "é facilitado pela rede de auto-estradas existentes hoje em dia".

Sobre a situação dos trabalhadores, assegurou que, na melhor das hipóteses, apenas 18 dos 62 trabalhadores ficarão na prática sem trabalho.

Segundo o porta-voz, 28 trabalhadores "poderão entrar imediatamente na reforma ou fazê-lo após o período de recebimento do subsídio de desemprego", a que se juntam cerca de 20 que foram convidados a integrar a unidade de Santarém.

Adiantou que dois desses trabalhadores já aceitaram a deslocação, ainda antes do fim do prazo de uma semana concedido para tal, e que a empresa espera que outros o façam em breve.

Esclareceu que os trabalhadores que não aceitarem ir para Santarém e os que serão dispensados têm à sua disposição uma empresa especializada, contratada pela Unicer, que os ajudará a procurar trabalho ou a darem novo rumo às suas vidas.

Segundo a empresa, os valores das indemnizações a conceder, na maioria dos casos, rondam os 50 mil euros, havendo um caso de 100 mil euros, que correspondem a 1,4 meses de salário por cada ano de trabalho efectivo.

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