Os trabalhos para a construção da torre - que servirá as comunicações da polícia e bombeiros, dizem os moradores -, já arrancaram no terreno e os residentes temem pela sua saúde devido à emissão de radiações.
O grupo de cerca de 30 moradores, integrado também por estrangeiros, entregou um abaixo-assinado na Câmara de Lagoa a exigir uma reunião urgente, depois de se ter apercebido de movimentações na zona há três semanas.
Ao constatarem que estavam a ser abatidas árvores, questionaram a autarquia acerca do propósito da acção, que lhes respondeu que ali iria ser feito um jardim e que se tratava de um projecto de requalificação do lote.
Perante a insistência dos moradores da urbanização "Areia dos Moinhos", um membro do executivo autárquico acabaria por confirmar a implantação no local de uma torre de 40 metros, que serviria a polícia e bombeiros.
"Ninguém nos informou de nada e ainda por cima mentiram-nos", desabafou à Lusa um dos moradores que assinou a petição mas que prefere manter o anonimato, acrescentando tratar-se de "um crime".
De acordo com o morador, a suposta torre de telecomunicações constitui um perigo para a saúde pública, devido às radiações que emitirá, e um "atentado aos direitos humanos".
A torre - cuja base em cimento já foi implantada no local, a par de outras estruturas -, ficará instalada a apenas oito metros de distância do quarto de um casal de canadianos, que está revoltado com a situação.
"Isto é vandalismo patrocinado pelo Estado", acusa Hal Jones, ex-jornalista reformado que vive metade do ano em Carvoeiro, no Algarve, e outra metade no Canadá com a esposa, Maureen.
Aquele morador teme agora pela sua saúde e dos restantes vizinhos, mas também pelo impacto que a situação pode ter na economia local e no turismo, pois muitas das vivendas que compõem a urbanização são para alugar.
"Ninguém vai querer alugar uma casa com vista para uma torre", diz, sublinhando que o pior é que "tudo foi feito em segredo" e que a instalação da torre nem sequer é no ponto mais alto da zona.
Os moradores ponderam avançar com uma queixa nas instâncias judiciais europeias, caso o seu protesto não surta efeito junto das autoridades locais.
A agência Lusa tentou obter um comentário da Câmara de Lagoa, mas tal não foi possível até ao momento.