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Home > Sociedade > “É preciso salvaguardar artes de pesca tradicionais não destrutivas”
  “É preciso salvaguardar artes de pesca tradicionais não destrutivas”
19-10-2009 3:47:00

A Greenpeace quer ver proibida a pesca em águas profundas. Investigadora da UALG contrapõe: é preciso salvaguardar as artes tradicionais e não destrutivas, porque a pesca por arrasto não tem justificação económica.
 
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A associação ambientalista Greenpeace está a realizar uma campanha de sensibilização,que passará por Faro a 21 de Outubro, contra a pesca em águas profundas, uma actividade que quer ver proibida pelo Governo português e condenada pelos consumidores na hora de escolher o peixe nos supermercados.

"Aos consumidores estamos a pedir para que peçam ao retalho para retirar as espécies de peixe de profundidade, especificamente do alto mar, das suas prateleiras", disse à Lusa a coordenadora da campanha de oceanos da Greenpeace em Portugal, Lanka Horstink.

A Greenpeace apela ainda aos retalhistas para adoptarem uma política de compra e venda sustentável de peixe e ao Governo que adopte as medidas contidas numa resolução internacional aprovada em 2006 e que contou com o apoio de Portugal.

Cerca de dez organizações não-governamentais nacionais, como a Quercus, a Geota ou a Liga para a Protecção da Natureza, juntam-se à campanha da Greenpeace e pedem também ao Governo português que adopte medidas concretas contra a destruição dos ecossistemas marinhos prejudicados pela pesca de profundidade em alto mar.

Portugal é o oitavo país do mundo mais envolvido na pesca de profundidade em alto mar e, dentro da União Europeia, Portugal, França e Espanha são os países com maiores frotas de pescas de profundidade em águas internacionais, segundo a Greenpeace.

A associação ambientalista afirma que por causa da pesca em grande profundidade, sobretudo a pesca de arrasto, está em causa a manutenção de espécies como o peixe-espada negro, o alabote da Gronelândia, o tamboril e os tubarões de profundidade.

Pesca por arrasto não tem qualquer justificação económica

No entanto, esta posição não tem a total concordância da investigadora Margarida Castro da Universidade do Algarve, convidada a participar na apresentação da campanha, que decorreu em Lisboa.

"Estes peixes que são aqui referenciados também existem nas plataformas continentais [espaços marítimos mais próximos da costa, ainda fora das águas profundas e internacionais]. Há várias destas espécies que são pescadas legalmente e com controlo nas plataformas continentais, como o próprio peixe-espada preto", disse a investigadora.

Assim, Margarida Castro defende que o que é preciso salvaguardar é o recurso a artes de pesca tradicionais e não destrutivas, acrescentando que a pesca por arrasto não tem qualquer justificação económica.

"O arrasto em águas profundas e as pescas feitas em águas internacionais sem qualquer controlo não devem continuar, porque não tem justificação. O que se tira dessa pesca é tão pouco que não faz sentido continuá-la", disse.

A Greenpeace arranca hoje com a campanha "SOS Oceanos em Perigo - Roadtour europeia da Greenpeace em Portugal", estando prevista a passagem por oito cidades portuguesas de Norte a Sul com actividades de sensibilização para a importância da preservação dos frágeis ecossistemas marinhos que existem nas águas de grande profundidade.

A campanha passou já por Almada, estará em Setúbal na segunda-feira, seguindo para Faro (21 de Outubro), Coimbra (dia 24), Aveiro (26), Gaia (28) e Porto (29).
(Dossier "Terra e Água ")
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