Quando nasceu, já o 25 de Abril de 74 estava quase a fazer um ano. Pouco tempo depois, ainda Rui era criança, Carlos Tuta tomava posse na Câmara Municipal de Monchique, posto que conseguiu garantir sendo sucessivamente eleito... até 2009.
Aquilo que parecia impossível, estava afinal mais perto do que parecia, garante o recém-eleito presidente da Câmara Municipal de Monchique, que tomou posse ontem à noite.
“Havia um desgaste do PS, também por falta de estratégia política para o concelho”, afirma Rui André ao Observatório do Algarve.
O autarca do PSD, que ganhou por uma margem mínima de 67 votos ao histórico candidato socialista Carlos Tuta, garante que para quem andava no terreno, os sinais de cansaço do eleitorado eram “evidentes” e afirma que até esperava ter ganho com maior margem.
“O descontentamento era crescente. Há pessoas sem acesso à saúde, sem electricidade, sem saneamento básico”, garante. “Um autarca tem de saber ouvir e apostar numa política de proximidade. Foi isso que fez com que as pessoas se afastassem”, acrescenta.
Agora, Rui André diz que é chegada a hora de chamar as pessoas para a Câmara.
“O executivo vai chamar as pessoas a participar, criando um canal aberto”, adianta, não se esquecendo dos estrangeiros que habitam no concelho. Em Monchique, existem cerca de mil, embora apenas cerca de 70 estejam recenseados.
Área social é prioridade
Na manga, o novo autarca tem projectos sobretudo para a área social, criando equipamentos como lares, centros de dia e de apoio domiciliário. O cartão do idoso, para obter descontos nas farmácias através de protocolos ou um cheque de 500 euros para as crianças que nasçam em Monchique são outras ‘cartas’ que faziam parte da campanha eleitoral e que Rui André garante que são para cumprir.
Por outro lado, o político assegura que também na habitação social importa dar um salto qualitativo, fomentando habitação a custos controlados e lotes para promover a auto-construção.
Em entrevista, André fala também na necessidade de um projecto de expansão urbana, em Monchique e Marmelete, assente na criação de uma variante que passae pelo Pé da Cruz, São Roque e Descansa-Pernas.
E a economia, em tempo de crise?
Tão ou mais importante, considera, é a ligação por uma via rápida de quatro faixas entre Portimão e Monchique, projecto “essencial” para o crescimento da cidade.
Ainda que em áreas sem competências específicas da Câmara, Rui André olha também para a economia local como algo em que o Município se pode envolver, ajudando a criar condições de sustentabilidade para projectos como o montado de porco preto, a aposta na floresta, na gastronomia, nos enchidos e no medronho.
Para este último, Rui André tem aliás em carteira um projecto de criação de um Museu, que permita conhecer melhor a actividade, mas também escoar algumas “marcas já existentes”.
Olhando para a Cultura e para o Património, o presidente da Câmara quer instituir um roteiro religioso, sem esquecer a vertente do património arqueológico. Considerando que esta é uma forma de apoiar o crescimento turístico da vila, Rui André relembra que Monchique ‘é dono do segundo ponto mais visitado do Algarve’, o miradouro da Fóia.
Do topo da montanha, com uma vista privilegiada, é fácil de perceber um outro slogan que Rui André deixa escapar: “Quero que Monchique se afirme como capital dos desportos de natureza”, diz, pensando na atracção de eventos como o parapente, escalada e trekking.