“É necessário um levantamento de número de postos de trabalho que a economia social estatal pode disponibilizar (saúde, educação, segurança social, autarquias locais, IPSS), seguramente há condições de criar rapidamente postos de trabalho que possam atenuar o desemprego”, afirma António Goulart, da União de Sindicatos do Algarve (USAL).
O sindicalista esteve ontem reunido com o Governador Civil de Faro, Silva Gomes, para entregar uma carta de reivindicações e propostas ao primeiro-ministro José Sócrates, convidando-o a deslocar-se à região para apreciar in loco a situação do desemprego.
O problema, como aliás o Observatório do Algarve já tinha noticiado, prende-se com os números recentes do desemprego na região algarvia: “Segundo os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, o desemprego duplicou face a 2008. Nós estamos a iniciar a pior época de emprego da região, a baixa do turismo, o que significa que vamos ter mais desemprego a adicionar ao desemprego já existente”, afirma Goulart, criticando a falta de empenho do anterior governo na resolução do problema e instando o novo executivo a “uma atitude diferente”, que olhe para os problemas do Algarve a partir de uma perspectiva regional.
Segundo a USAL, o grave problema social obriga, aliás, a intervenções mais profundas, estratégicas, que ultrapassam a necessidade de cuidados imediatos: “O que temos é uma crise regional que tem origem num único sector económico, na precariedade do emprego, na fragilidade do tecido económico e social da região. É necessário cuidar dos aspectos mais visíveis do problema neste momento, por causa do problema social, mas também criar novos modelos para permitir desenvolvimento sustentável, para não ficar ao sabor de acontecimentos que venham lançar novas crises”, avisa o responsável.
Desemprego é problema nacional, mas…
“Naturalmente que o problema do desemprego é um problema nacional, mas que na região devido às suas características específicas ele tem assumido uma dimensão própria. Farei chegar ao Sr. Primeiro-Ministro a missiva que foi entregue com propostas concretas, no sentido de ser estudado pelo Governo quais as medidas concretas que deverão ser tomadas”, afirma por seu turno ao Observatório do Algarve Carlos Silva Gomes, Governador Civil de Faro.
Após uma reunião que durou cerca de duas horas, na capital algarvia, o Governador admitiu “estar a acompanhar a situação, tentando arranjar soluções para a situações mais prementes”.
“A nossa dependência muito forte da actividade turística faz com que neste período que se aproxima o desemprego tenha tendência para aumentar. Estão previstas situações relacionadas com a formação e a manutenção dos postos de trabalho, aproveitando esse tempo para formar os funcionários com a colaboração do IEFP”, esclarece.
“Este não é um problema do Governo, é do país, todos os contributos são bem-vindos e as soluções terão de ser encontradas com diálogo, fazendo diagnósticos e propondo soluções adequadas”, conclui.
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