A construtora, sedeada em Pêra (Silves)que há mais de 20 anos desenvolve a sua actividade no Algarve, foi a grande vencedora das 1000 Melhores PME, ranking que a revista "Exame", em parceria com a Informa D&B e a Deloitte, promove pelo 14º ano consecutivo.
Trata-se de uma PME, que registou um crescimento de 326% nas vendas, que atingiram os €29,6 milhões. Os lucros subiram 1157% face a 2007, passando de €862 mil para €10,8 milhões.
Com o ‘diploma’ já devidamente emoldurado, sobre a secretária, Antero Marques esclarece desde logo o Observatório do Algarve que a sua actividade se desenvolve “num grupo de empresas familiar”.
Em causa estão a Frandur Um, SA adquirida em 2005, a Egipêra, a CresceInveste e ainda a MarinhaVilage, esta última vocacionada para a internacionalização no mercado brasileiro.
O empresário define-se como um autodidacta, para logo acrescentar: “Não sou um construtor típico, sou um criador. Não ter formação obriga-me a ter mais cautelas e a confiar sobretudo na intuição” explica.
Mas nem o sucesso nos negócios, nem os prémios, o fazem mudar de vida, que "segue o mesmo ritmo de há 10 ou 12 anos", assegura.
“Saio à noite para beber café e jogar cartas com os amigos”, exemplifica, dizendo também que mantém os seus cargos de vice-presidente da Casa do Benfica e presidente da Assembleia-geral dos Bombeiros de Silves.
Oriundo da Guarda, ali iniciou a actividade de sociedade com o irmão em 1989, mas terá sido o segundo casamento, com uma algarvia de Silves, o que mais pesou na decisão de se estabelecer no Algarve.
Isso, e porque no início dos anos noventa se registava “uma grande dinâmica no sector” da construção da região. A actividade da empresa passava essencialmente "pelos loteamentos e habitação”. Em 1997, dissolve a sociedade com o irmão, devido a "perspectivas de negócio diferentes", mas continua a trabalhar em família, com a mulher e o filho mais velho.
Foi preciso visão e antecipação para, a partir de 2000, “alterar a estratégia e começar a dotar a empresa de capitais próprios, mantendo algumas propriedades”.
Os alugueres de todas as tipologias, para rendimento, foram uma das áreas de investimento. Segue-se, a partir de 2002, a alteração do target de mercado: de 80% de clientes portugueses, para 20% de estrangeiros, as percentagens invertem-se, já que “o mercado nacional não sustentava a actividade” dos projectos residenciais.
As vilas do Barrocal, paredes meias com a sede da empresa, em Pêra, são disso um exemplo: Trata-se um conjunto turístico de moradias, explorado directamente pela empresa, a que se juntam mais de meia centena de fogos comerciais para arrendamento com uma facturação anual superior a 1,2 milhões de euros.
Simultaneamente, o grupo de empresas lança-se na construção logística e comercial, designadamente retails parks e plataformas logísticas, no Barlavento algarvio.
Em 2006, a Urbanipêra, “deixa de construir para habitação”, passando unicamente a supervisionar empreitadas, precisa Antero Marques, enquanto o negócio continua a crescer na área de compra e venda de terrenos.
“Os empresários devem ser ambiciosos e não gananciosos”
O negócio que catapultou a Urbanipêra, arrastando o grupo de empresas familiar, para um crescimento de 1157% nos lucros em 2008, relativamente a 2007, foi a venda de um terreno de 225 mil metros quadrados ao grupo Grand Plaza, na Guia (Albufeira) para a construção de um centro comercial frente ao actual Algarve Shopping.
O negócio foi concluído com o Imo Pan Iberian Retail, fundo de investimento imobiliário gerido pela Imorendimento, por 28 milhões de Euros, enquanto a aquisição do terreno, dois anos antes, fora de 12,5milhões.
“Tinha em cima da mesa duas propostas, seja para vender o terreno, ou fazê-lo depois da construção, com um encaixe de mais 25 milhões de euros. Optei por um lucro bruto de 10 milhões e não de 36, porque me permitiu acabar com o passivo, realizar mais valias e criar um super-avit para investir noutros projectos”, diz Antero Marques.
Ponderação e análise do mercado fizeram-no “optar pela alienação do activo”. Segundo ele “os empresários devem ser ambiciosos e não gananciosos. Quero evitar dizer que ando a trabalhar tanto que não tenho tempo para ganhar dinheiro e prefiro viver com calma, ter ideias e desenvolvê-las”.
O centro comercial é um dos projectos que o empresário considera estruturantes para o grupo familiar, no Algarve, a que se vem aliar a construção de 180 fogos em 20 hectares de terreno no Chinicato (concelho de Lagos) cujo Plano de Pormenor está a aguardar aprovação e a plataforma logística do Algoz, situada em Alcantarilha, cuja licença de urbanização foi solicitada pela Frandur Um à autarquia de Silves.
A caminho do Brasil
"Comecei do zero, tenho satisfação com o reconhecimento do meu esforço (devido ao prémio)”, afirma o empresário, que vê na actual turbulência dos mercados uma oportunidade para crescer.
A internacionalização é já uma realidade, estando a gestão entregue ao seu filho, Eduardo Marques, de 30 anos, com investimentos na área da logística em São Paulo (quatro milhões de euros) e na imobiliária turística em Natal, no Brasil, onde a empresa adquiriu 460 hectares de terreno por cerca de 2,5 milhões de euros, projecto que aguarda aprovação.
Na Roménia, por enquanto, só existe “análise de mercado”, confidenciou ao Observatório do Algarve.
Elegendo 2010 como o ano da consolidação, Antero Marques não quer voltar a receber um galardão como PME. “O meu desejo é que daqui a dois ou três anos não seja uma pequena ou média empresa, mas uma grande”, confessa.
Até lá, pretende construir para arrendamento 120 mil metros quadrados de armazéns e 100 mil de habitação e evoluir para a gestão dos activos próprios. E revela uma parte do segredo do seu sucesso: “A agilidade de decisão, a proximidade no terreno, faz-nos ganhar às multinacionais”.