Três anos e mais de três milhões de euros depois, o robot deu hoje os ‘primeiros passos’ numa apresentação pública das capacidades que são afinal bem maiores do que aquilo que à primeira vista se possa supor.
O Intelligent Robotic Porter System (IRPS), projecto que o Observatório do Algarve já tinha avançado em primeira mão (ver aqui) não é propriamente aquilo que um qualquer fã de filmes científicos poderia esperar, mas representa algo de completamente inovador.
Desenvolvido por um consórcio de sete empresas, a nível mundial, o robot pode mover-se e transmitir os dados em tempo real conhecendo o espaço através de vários lasers que lhe permitem identificar e mapear os objectos, sejam pessoas, malas ou estruturas do edifício.
“Se eu tiver uma máquina que faça a revista do perímetro deste aeroporto que não é grande, mas tem 9 quilómetros, é uma grande vantagem. A possibilidade de se movimentar em áreas que estão fechadas por qualquer ameaça e poderão entrar sem pôr em perigo vidas humanas é também uma vantagem”, explica o director do Aeroporto de Faro, António Correia Mendes.
“Não pensamos só em aeroportos, em qualquer grande edifício é um projecto que pode ser muito útil”, acrescenta.
Daí o interesse da União Europeia em financiar o projecto, com perto de 2,7 milhões de euros no total, uma vez que este tipo de tecnologia poderá vir a ser exportada para todo o mundo, com dezenas de aplicações práticas, tais como a vigilância, desactivação de bombas, manuseamento de materiais perigosos, transporte autónomo de pessoas portadoras de deficiência e mobilidade reduzida ou até para a simples limpeza de grandes espaços.
“O problema é que, sendo um robot, há que acautelar uma série de factores, como os riscos de colidir com pessoas por exemplo. Para além disso, há a questão da confiança. Como é que as pessoas vão reagir ao robot? E será que vão querer utilizá-lo?”, questiona Maurice Heitz, coordenador da CS Systems, que trabalha na área do laser que permite ‘varrer’ o espaço envolvente ao robot.
“Para Portugal eu penso que é um grande passo, em termos de ciência”, garante Jorge Miranda Dias, do Departamento de Robótica da Universidade de Coimbra.
“Agora é preciso é fazer a ligação às empresas, para desenvolvermos a tecnologia com a componente de mercado, que às vezes falha quando fazemos projectos como estes”, conclui.
O protótipo poderá atingir o mercado dentro de 5 anos.
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