O presidente da Entidade Regional de Turismo do Algarve (ERTA), Nuno Aires, manifestou a sua preocupação relativamente ao andamento dos projetos de investimento previstos para a região devido à crise económica, que poderá estar a provocar atrasos no seu desenvolvimento.
"Esta crise financeira obviamente que afetou também o normal andamento dos projetos de investimento que estavam a ser pensados aqui para o Algarve. A informação que temos é a de que alguns desses projetos estão parados ou a ser reequacionados, sobretudo no seu 'timing'", afirmou o presidente do Turismo do Algarve em declarações à Agência Lusa.
Nuno Aires precisou que o projeto "Terras de Verdelago de facto não avançou, também o Corte Velho, a Baía da Meia Praia e o Benagil, a Cidade Lacustre já deveria estar numa outra fase e não avançou, e também o Radisson, em Portimão".
"São pelo menos estas as notícias que temos, embora não confirmadas. Destes todos, uns estão parados, outros estão com um novo calendário de investimento, há aqui portanto situações mistas", precisou o responsável da ERTA.
A Lusa contactou o promotor do PIN Verdelago, investimento de 259 milhões de euros do Grupo Inland, do presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, previsto para o concelho de Castro Marim, que garantiu que o projeto está a evoluir como previsto, assim como o presidente da câmara local, José Estevens.
A Administração da Verdelago assegurou que "o Alvará de Loteamento com obras de urbanização foi emitido a 11 de janeiro do presente ano, tendo sido assinado no mesmo dia o auto de consignação que efetivou o início das obras de infraestruturas".
"Desta forma, reiteramos que o projeto Verdelago não se encontra, nem nunca se encontrou, suspenso e que as obras se encontram em curso, prevendo-se a sua conclusão num prazo de 39 meses a contar da referida data de consignação", acrescentou.
O presidente da câmara de Castro Marim, José Estevens, também negou qualquer adiamento ou atraso neste investimento, sublinhando que "ainda há cerca de 15 dias a Verdelago levantou o alvará de loteamento e fez a consignação para avançar com as obras de infra-estruturas".
"Os trabalhos estão a decorrer. Não houve atrasos motivados pela crise"; garantiu Estevens, frisando que "um investimento deste tipo não avança em todas as frentes e implica alguma preparação e logística".
Questionado sobre o investimento Corte do Velho, que também está previsto para o concelho, o presidente da câmara de Castro Marim disse que "não é PIN, tem é uma candidatura em curso para obter essa categorização que ainda não foi decidida".
Mas a preocupação de Nuno Aires é partilhada pelo presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, que há um ano já tinha manifestado preocupações sobre esta matéria e defendeu que "tudo aquilo que o ano passado foi dito sobre a necessidade de reequacionar, repensar, reestruturar, esses projetos de investimento, se confirmou pelo acentuar e agudizar da crise económica e financeira que se faz sentir em todo o Mundo".
"Não sei se estão suspensos, se não estão ou se estão a fazer qualquer coisa. Porventura poderão estar naquela fase em que não se pode dizer que tenham sido abandonados, mas não creio que nenhum projeto desses tenha sido abandonado pura e simplesmente", afirmou Viegas, recusando mencionar nomes.
O dirigente associativo acrescentou, no entanto, que "a crise económica e financeira instalada em todo o Mundo, com reflexos na actividade turística e no turismo em geral, obrigou os promotores desses projetos a repensar, a reequacionar, a reestruturar, a reposicionar todos esses investimentos de uma forma que, porventura, não estava prevista inicialmente quando os mesmos foram idealizados e projetados".
(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)
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