A classificação de Monumento Nacional desde 1922, não impediu a degradação do edifício gótico, que esteve encerrado desde 2006 e reabre portas após oito meses de obras de conservação e restauro.
Em finais de 2006, a degradação e a ameaça do tecto ruir, levou o padre Carlos Aquino, pároco local, a interditar parte da Catedral, quando uma trave de madeira caiu em plena missa. Mas na verdade, a situação de degradação arrastava-se há mais de uma dezena de anos.
A primeira fase da recuperação contemplou arranjos no interior e a substituição das coberturas das três naves da antiga Sé, que já foi sede do Episcopado do Algarve.
A segunda fase das obras vai incidir sobre o restauro dos altares laterais, a recuperação do pavimento, a que se junta a substituição da instalação eléctrica, e deverá estar concluída em 2015. Esta etapa de requalificação do monumento será realizada ao abrigo do projecto da “Rota das Catedrais”.
Coordenados pela Direcção Regional da Cultura do Algarve e orçamentados em 350 mil euros, os trabalhos de recuperação agora concluidos foram apoiadas por mecenas como a Fundação Aga Khan que entregou ao Ministério da Cultura uma contribuição de 100 mil euros ou o empresário Vasco Pereira Coutinho.
Contribuíram igualmente a Câmara Municipal de Silves, o Turismo do Algarve e a paróquia.
O padre Carlos de Aquino, pároco da Sé garante que as “obras fundamentais” estão concluídas, pelo que o templo irá reabrir aos visitantes que se somam por milhares e ao culto, numa paróquia que se privada do seu espaço litúrgico mais de 4 anos pelo perigo de queda da cobertura.
Bispo do Algarve preside à reabertura
O Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, presidirá à reabertura da Sé, numa cerimónia litúrgica que inclui a bênção do altar e do ambão, a partir das 19h00, seguindo-se pelas 21h00 um concerto de música sacra pelo coral da Filarmónica de Silves.
Do programa consta ainda a conferência “Cultura como espaço de Esperança”, no dia 16 de Julho às 21h, na Biblioteca de Silves, a exposição “Pastores ao serviço da Igreja” dedicada aos párocos de Silves bem como a palestra proferida pelo padre Pedro Manuel, a 15 de Julho pelas 21h, no salão paroquial, sob o tema “Pastores como homens da esperança” integram o programa.
O evento culmina com a missa dominical, almoço de confraternização e novo concerto de música sacra, às 21h, pelo coral da Filarmónica de Silves, noticia o semanário Folha de Domingo da Diocese do Algarve.
Sé Velha
Antiga sede do Bispado do Algarve, a Sé Velha, actual Igreja Matriz de Silves, foi edificada com o belo grés vermelho da região, possivelmente no local da antiga mesquita.
O início da sua construção data da segunda metade do séc. XIII ou início do séc. XIV. Os trabalhos prosseguiram até meados do séc. XV, após desabamento parcial, tendo sido alvo de alterações arquitectónicas no séc. XVIII.
A fachada principal é dominada pelo portal gótico com um espaldar que culmina num varandim suportado por cachorros com carrancas a que acresce o óculo e os dois botaréus como elementos da construção primitiva, já que toda a restante fachada e torres são barrocas.
Ainda no exterior são de referir a grande janela ogival, com quatro colunelos, junto à escadaria, e o formoso conjunto da cabeceira da igreja.
O interior apresenta três naves, com colunas singelas e arcos ogivais e o transepto e a ábside são belos exemplos de arte gótica e a capela-mor é flanqueada por absidiais com abóbada nervurada. No altar-mor, uma imagem de jaspe de Nossa Senhora com o Menino que se supõe ser do séc. XV ou XVI.
Túmulo de Reis
Uma das lápides funerárias presentes no solo referencia a sepultura do rei D. João II (1455/1495), falecido em Alvor, mais tarde trasladado para o Mosteiro da Batalha.
Entre o património pictórico da Sé Velha contam-se duas grandes telas representando São José e Santa Bárbara (séc. XVIII), o retábulo renascença (séc. XVI) de uma das capelas laterais.