Com a abstenção da Caixa Geral de Depósitos e do BPN, entre os maiores credores da Alicoop e com os votos favoráveis (para aprovação do plano de viabilidade) do BCP e BPI, das Caixas Agrícolas de Albufeira e da Comissão de Trabalhadores, alterou-se a relação de forças que, assim, “se mostra favorável à salvação da empresa”.
José Parreiro, da Comissão de Trabalhadores, em declarações ao Observatório do Algarve, mostra-se no entanto cauteloso ao comentar este desenvolvimento da situação e prefere “aguardar pela decisão do Tribunal”.
Também o ex-administrador do grupo, José António Silva, disse ao OdA que por enquanto não conhece “formalmente” a situação, preferindo aguardar pela posição do Tribunal, que deverá surgir “amanhã ou depois”.
“Tínhamos esta expectativa, que o plano de viabilidade fosse aceite, mas não se deve tomar isso por garantido antecipadamente”, acentua o empresário.
“Após a decisão do juiz deverão ser ultrapassados todos os trâmites legais das decisões do Tribunal, até à homologação da decisão”. Só então, diz António Silva, é que “se pode andar para a frente”.
A derradeira assembleia de credores efectuou-se a 30 de Junho no Tribunal de Silves para decidir sobre o plano de viabilização daquela empresa que foi apresentado aos credores a 18 de Junho.
Neste, um grupo de 150 pequenas e médias empresas fornecedoras da maior cadeia de supermercados do Algarve apresentou, juntamente com os trabalhadores e fornecedores, um plano de viabilização que prevê a injecção 1,6 milhões de euros na cooperativa, permitindo dispensar o financiamento da banca e a reabertura gradual dos supermercados, começando com 27 lojas já em Julho e as restantes a partir de Setembro, já com nova insígnia.
O grupo de mais de 150 fornecedores propõe-se a converter em capital social cerca de 17 milhões de euros de créditos sobre o património em insolvência desde Agosto de 2009.
Todos os supermercados da cadeia estão encerrados desde o início de Maio, para não agravar a dívida de 80 milhões de euros, uma vez que a comissão de credores não foi capaz de encontrar consenso quanto ao projecto de viabilidade elaborado pela Deloitte.
A banca credora, onde se inclui o Millenium BCP, o BPI, a Caixa Geral de Depósitos e o BPN, analisaram o documento e, na altura, pediram vários esclarecimentos e onde ficou definido um prazo para uma posição concertada, que se conclui hoje.
Sónia Correia, da Comissão de Trabalhadores da Sociedade Cooperativa de Produtos Alimentares do Algarve (Alicoop explicou na altura que os trabalhadores deram o seu “apoio pleno e inequívoco” ao plano de viabilização da Alicoop e que estão até disponíveis a fazer “alguns sacrifícios”, como prescindir de subsídios de férias para a empresa poder funcionar.
Sónia Correia referiu na altura que “os trabalhadores querem é a viabilização da empresa" e abrir as lojas, entretanto encerradas, já a partir deste mês.
'alisuper-alicoop' 'empresas' 'comércio' 'bancos' 'tribunal' 'trabalhadores' 'emprego' 'algarve'